sábado, 12 de dezembro de 2015

Farewell

Foram tantos os pedidos por ajuda. 
Tantas as tentativas de gritar em meio à multidão "tem alguém aí?"
Foram tantos os esforços, todos em vão. 
Tantas as tentativas de descrever o instante, 
o instante entre a perda da sanidade e a loucura ensurdecedora. 
Aquele simples e único momento no qual o sentimento quer se transformar em gesto destruidor. 
Mas resposta era sempre a mesma, às vezes derivada:
Silêncio. 
Solidão. 
Vazio. 
Você venceu. 
Beba o sangue do inimigo. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Cold

Às vezes eu gostaria de entender o que acontece comigo. Por que eu preciso sentir tanta dor? Qual crime eu cometi para receber tamanho castigo? Eu sinto algo estranho correr pelas minhas veias e não é sangue. É uma espécie de impulso, atinge meus órgãos, gela meu corpo, provoca calafrios, corrói meu estômago, corta minha voz e me causa náusea.
E isso vem tão de repente. É um instante tão curto de extensão, mas tão longo de intensidade. Fico acuada num canto da cama enquanto sinto minha cabeça latejar e ter pequenas explosões. De repente tudo some e a única coisa a qual tenho é essa solidão gélida e assustadora. Um vazio... E ao mesmo tempo algo tão cheio de escuridão. Tudo começa a doer, do último dedo do pé até minha cabeça e quanto mais dói, mais sinto que preciso sentir e provocar dor.
Tento fechar os olhos e dormir, já que essa situação me esgota. Porém o sono é inviável àqueles que temem dormir. Acordada já é ruim estar assim, dormindo é imensamente pior, porque tudo é permitido no sonho. Tudo o que mais temo pode acontecer. Não é seguro dormir... Mesmo quando meus olhos me imploraram para fechar.
O que é isso que sinto? Que chega absolutamente do nada? O que é isso que me faz querer sentir dor em ordem de diminuir uma mais alta que sinto? Que tipo de coisa é essa que me provoca calafrios, tremedeiras e me deixa completamente vulnerável? Por que eu tenho que sentir isso quando tudo na vida parece estar indo bem?
What is happening to me?

sábado, 3 de outubro de 2015

Porque eu sou a exceção na sua vida

Hoje foi sensacional. Fazia muito, mas muito tempo mesmo que alguém não me deixava tão bem, como se conseguisse transcender para uma bolha, onde sou intocável. Onde meus problemas não me alcançam, meus medos não me prendem, minhas angústias e incertezas ficam em segundo plano. Fazia muito tempo que eu não sentia alguém se importando comigo, querendo me fazer bem e "só". Você me deu colo, fez carinho, foi um poço de doçura... 

Estou num momento da vida no qual tudo desaba em questão de segundos, pessoas próximas e queridas estão ou indo embora ou adoecendo, no caminho da despedida. Essa dor da perda, o mal estar do luto (que insiste em permanecer presente), as constantes brigas com a minha mãe, a falta de perspectiva. Não sinto como se tivesse algo para te oferecer e mesmo assim você escolheu ficar (realmente não entendo por que). No máximo posso te fazer rir das minhas besteiras, mas só. 

Você me conheceu num período tão conturbado, tão caótico. Em menos de um mês, viu mais coisas ruins minhas que pessoas que conheço há anos e, ainda assim, resolveu ficar (e eu realmente não entendo por que, II). Em compensação, você vem me ver todos os dias, cuida de mim, faz com que eu me sinta querida e protegida. Não sei qual foi o instante no qual conseguiu essa proeza, de me fazer tão bem sem precisar fazer nada, apenas estar ali ao meu lado. 

Sim, quando estou sentindo os inícios das crises de pânico, quando sinto aquela tristeza batendo latente no meu peito, quando sinto que não vou aguentar, eu tenho vontade de estar ao seu lado e te abraçar. De algum forma seu abraço e acalma, você me coloca numa bolha tão leve, tão fácil, tão simples. Dentro do círculo dos seus braços eu me sinto invencível, como se fôssemos capazes de tudo o que estamos planejando. 

Eu não sei como, mas você preenche metade desse meu vazio, de certa forma, está me mostrando como ser melhor e, mais importante, me faz querer ser melhor para você, para mim (o que é muito difícil, porque sou totalmente autodestrutiva). Acabo, por conta disso tudo, perguntando-me se mereço você, se alguém como eu merece alguém como você... 

Tenho medo da resposta ser negativa, então prometo me esforçar para estar à altura. Para conseguir retribuir um pouco do muito que você me faz. Vou me esforçar para nunca te tratar mal e ser menos do que eu posso ser... Porque... Antes de te conhecer eu estava tão estragada, um verdadeiro trapo, agora sinto que alguém está pegando meus pedacinhos e colando um a um, com tanto amor e carinho que é impossível perceber que estava quebrado. 
Não sei como agradecer por isso. De verdade, às vezes até parece que você não existe. 
<3

Obrigada por ter entrado na minha vida é estar me salvando dela.   

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Wonder if she knows...

So... Let's say that I met someone...
I mean, I haven't met her yet... But I surely will. I saw her in a pub... On one of those days you just hang out and don't expect too much and suddenly "boom"! there she is. Of course she didn't notice me, but social networks are really blessed. And we just start to talk... And god, she's amazing. I mean... She's gorgeous, she studied cinema, likes to write, too. I wish I could be in Bauru now... I'm thinking of how ask her to go out with me, but I'm a totally disaster on this matter. 
Thinking thinking thinking 'till my head strikes... 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Only you

For months I can't sleep properly. I can't eat, have fun, smile. For months I've been stuck between my emptiness and my sadness. For months I miss you more than anything. Even breathe gets heavier. You left a whole that not even the entire world inside me could fill. 
I miss your voice near my hear, I miss your smell on my pillow. I miss you breathing quietly while I watch you sleep. I miss your laugh over stupid stuff. I miss your cute voice when you were calling me. I miss your hand embracing mine. I miss your hug, that hug that always kept me safe. I miss your look, those eyes that could understand anything without saying a word. I miss our little jokes. I miss you... Your body against mine, I miss kissing you and put you against the wall. I miss say that I fucking love you and you the woman of my life and I'd do anything for you. Anything. I miss cook for you, play the guitar on the phone for you, buy you lots of things that remind me of you. I wish I could wake up on your side every morning and bring you breakfast. I want you back, kitten. I need you back. You don't get, do you? You are my life now, from the moment I saw you at University, I realised that you would make my life completely different of what it was. I can't live anymore whitout you in it. You're my partner, my friend, my love, my... Love. And this blank that you left is actually killing me and nothing (neither nobody) can fill in your place. It's not switchable. If you don't want to come back for me, then I shall stay alone until my last day, because no one can ever replace you, nothing can replace us. 
Really, I'd do anything for you. Anything to have you back into my life. And if you don't accept me back, so be it, I will have nobody, because nobody's enough. Only you. 
Only you. 












sábado, 31 de janeiro de 2015

A five years' talk

Bom, esse está escrito há tempos.. Foi por volta de julho-agosto de 2014, só resolvi postar agora... 


The problem is: it's still hurts. The second problem is: what if this never stop? The third: I probably won't ever forget a single fucking word of that speech of yours. "I guess... I'm kind of drunk. Don't take in the wrong way. But I like you. And I don't know how to say it". "I'm shy". "I want spend one night with you, listening this song, one night only, and I don't know how to say it". "I'm drunk and shy". "I don't want spoil our friendship". "I do like you, I like you very much" you kept saying. "I like your smell, it feels like home". "You showed me how touchable was music". "I do like you very much and I can't deal with it". "Sometimes I wish I could be with you, only with you. But I can't be with you". "Kiss me, just once. Kiss me".
And then I said "you know that won't be just one kiss, don't you?" "Yes, I know", you replied...
I don't even know how to explain my control capacity on that moment. 'Cause you know... You were there, in front of me, totally wasted and beautiful, saying all the things I waited five years to hear. Yes, I did kiss you, 'cause if I didn't have, I would probably kill myself on the next day, and for the rest of my life... But at the same time I had to reject you... I had to control all my wishes, I had to ask you to stop biting me and go easy... But believe me, I didn't want stop, not for a second. However... again, it's you, and... I don't know how to say it, but I love you so much that I won't ever be able to do something that you will regret later or something I know that wasn't totally right... The last kiss before we went upstairs I gave 'cause what I really wanted to do I couldn't, so...
But you have to understand, I can't do it and I won't never be able to spend one night with you, only... doesn't work like that... I can't do this with me, with you and most of all, with us... One night and everything back to normal. I do want you, I wanted to feel every single bite, every single scratch... But... What I feel is beyond that fleshly need, is beyond my wish of having you... I'd rather be your friend forever than have just 'one night stand' and fuck up on the next day. And you need understand how painful is say this to you...
When I took you to my bedroom and put you to sleep, I changed you with my eyes closed, looking to the roof so I wouldn't see anything... I put two pillows so if you got sick, you wouldn't choke. And then, I went to the room, watch tv and get some sleep.
Well, I don't know for sure if you meant all those words you said... I don't know if you do feel all you said you feel... But we need to talk. I'm not asking you to marry me, to be with me... Neither of that. We just need to talk with you properly sober. I already know your decision and I think it was right, stay with her, she's far better than me. She makes you happy and treats you well, what is very important. I like her and I like her for all those things she made you realize. But still... someday, when you're ready to talk about it, I do want to know what you really feel. It won't affect our friendship, it won't change anything... but it's important to me. If this is true, if you like me, I love you and you will always be the one [you know it]... and we shall live with that, however this time, with all the cards on the table... what do you think?
that's the only thing I ask you, one true talk. Just it.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A uma amiga distante

Está sendo uma semana difícil, ainda mais agora que conversamos. Além de ser a semana do meu aniversário, estou relembrando de muitas coisas. E como não consegui dormir essa madrugada pensando em tudo o que aconteceu, resolvi escrever (é assim que as coisas se solucionam dentro de mim).

Lembro que foi na semana do seu aniversário (ou um pouco depois) que tudo aconteceu. A sequência dos fatos segue confusa na minha cabeça. Lembro de ter visto aquela parede e saído da sala imediatamente. Fui ao banheiro, liguei para minha mãe e disse "me tira daqui, por favor, mãe, me tira dessa escola". Depois disso eu perdi a relação temporal da situação, me lembro de flashes apenas e sempre intercalados com a lembrança do escrito na parede. Os funcionários da escola me interrogando para falar quem tinha feito aquilo, eu me recusando a dizer. Minha mãe chamando meu pai para ir até à escola com ela. Imagens na parede. Eu, meu pai e minha mãe numa pizzaria jantando, enquanto eles resolviam o que deveriam fazer e eu implorando para que não fizessem um boletim de ocorrência. Porque você já era maior de idade e isso alteraria drasticamente as coisas. Eu me resistindo a acreditar no que estava acontecendo. 
A única coisa que conseguia pensar era "o que eu fiz para ela me odiar tanto? Será que fui tão grossa ao responder àquela pergunta que o fulano me perguntou e ela tirou sarro? Será que falei alguma coisa que não devia? Por que ela me odeia tanto, o que que eu fiz de errado?" Dizem que sempre que esse tipo de coisa acontece, a gente tende a se culpabilizar, como se a sua ação fosse justificada por um erro meu. E demorou muito para eu entender que o movimento não era esse. E nunca esperamos que o preconceito, racismo, homofobia etc etc venham de alguém que nos era tão próximo e querido, talvez por isso tenha doído tanto. Se fosse alguém aleatório, com quem eu não me importasse, talvez aquilo não me afetasse tanto... Mas tinha sido você. 
Sim, você, a pessoa com quem eu saía, com quem eu conversava e me identificava, que eu ia na casa fazer pão de canela, que me mostrava coisas novas, que dividia angústias, que me fazia rir, que falava de coisas interessantes e não era como quase todo mundo da sala, fútil e entediante. E mais importante, a pessoa que me fez sentir como se eu realmente pertencesse a algum lugar, porque desde que eu havia saído do Fênix, eu me sentia completamente deslocada naquela escola. Sim... Essa pessoa tinha me apunhalado pelas costas e eu nem sabia o motivo do golpe. 
No começo eu me culpei, porque pensava que eu tinha te provocado, eu tinha feito algo muito errado e aquilo seria sua "vingança". Depois passei a negar que era você, não acreditava e preferi pensar que poderia ter sido qualquer um. Mais tarde tentei encontrar motivos, uma briga não justificaria aquilo (e nada justifica), mas não encontrei uma pista sequer. Com aquele ano chegando ao fim, decidi ter raiva de você, pensei que assim poderia me libertar daquelas frases escritas que insistiam em me perturbar a memória. Fiz um grande esforço para sentir raiva e te odiar. Deve ter durado uma semana, ou menos. Não conseguia, assim como não consigo agora. Eu gostava muito de você para te odiar, gostava muito da nossa amizade para deixar que a raiva apagasse tudo. 
A única coisa que sobrou foi certo pânico que ainda me acompanha, mais que tristeza, pois me paralisa... Eu não sei se fiquei mais forte com o que aconteceu, faz tanto tempo que coisas ruins estão acontecendo que não tenho tido tempo para fazer balanceamentos e ver progressos, embora acredite que aprendi a suportar melhor, a ir mais devagar e não confiar em todo mundo tão rápido. A não me abrir tão depressa...

De qualquer forma eu fico aliviada que tivemos a chance de conversar, ainda que depois de 4 anos. Por saber que não era a mim quem você odiava, era "apenas" um descompasso entre o que você era (e não aceitava) e o que você demonstrava ser. E, sobretudo, fico feliz por não ter conseguido te odiar, porque assim hoje eu posso dizer, sem esquecer do que aconteceu (isso eu temo ser impossível), mas sabendo exatamente o quão sincero e sofrido é dizê-lo. Eu te desculpo. 

E caso um dia venhamos a nos ver de novo, vou cobrar aquele abraço. 









sábado, 3 de janeiro de 2015

trilha sonora de uma sexta-feira à noite

hm... Já que sonhei contigo essa noite, e estou ouvindo suas/minhas músicas, nada mais justo do que um post...
Obs.: existem 98374 "você" nesse blog... porque nunca identifico ninguém, então esse é para você, rs.

Músicas: álbum inteiro do Alt-J, aquele "an awesome wave".

"Situação" [são mais lembranças, na verdade]:

Eu me lembro da primeira vez em que você foi em casa, de como eu fiquei ansiosa e pensava "nossa, tudo tem que estar muito perfeito". Comprei-te até um lençol azul e andava pela aquela casa procurando algo a mais para arrumar. E na hora que você chegou, eu de calça branca e meu moletom lindomaravilhosogostosofofoecheiroso vermelho, tentando apagar minha ansiedade junto com o cigarro. Aquele abraço gigante, forte e longo. Smiths tocando. "Você gosta de Smiths, né?". "Sim". "Ufa".
Lembro-me de quando você falou "sua roupa é muito cheirosa" e eu respondi sarcasticamente "é que eu lavei, né?" rsrs. E de quando conversávamos sobre qualquer coisa X e eu disse, na maior naturalidade do mundo, passando a mão no cabelo "deve doer quebrar uma costela..." Ou quando tivemos aquele ataque de riso que atacou tua asma e a minha gripe... e começou a procurar tutoriais no youtube de "como desentupir o nariz" (dou risada até hoje dessas coisas).
Das comidas de chef, do caldo de feijão, da lentilha, do purê, dos macarrões, mais caldo de feijão, mais purê, cookies de chocolate, brigadeiro, coca-cola, mais coca-cola... Dos seriados, da palestra de velho, dos poemas declamados, dos livros lidos, do tédio compartilhado, das flores à minha porta, das conversas até às sete da manhã, dos dias sem dormir praticamente, das músicas e mais músicas e mais músicas... dos textos escritos, do seu azul invadindo meu roxo, dos desenhos... Foi tanta coisa para... 1 mês e meio?
"Tem certeza? Porque ainda dá tempo de desistir"...As listas dos youtube se repetindo 91637 vezes e o celular perdido por canto qualquer da casa, por motivos mais que compreensíveis. O apelido de "fraquinha". As tatuagens. As t-a-t-u-a-g-e-n-s. As marcas subsequentes, acompanhadas de um fingido "não fui eu". As trocas e escolhas de roupas.

De repente me deu uma saudade disso tudo, sabia? Mas dai um maldito mês chamado junho entrou no meio do caminho e trouxe de volta uma bagagem extraviada para mim e uma nova para você. Pelo menos a sua bagagem estava com coisa boa dentro... A minha foi mais encheção de saco, irritação, surtos, crises etc e tal. Às vezes chego a pensar que era melhor ter extraviado de vez, ou nunca ter tido... vai saber. Anyway, panda está com muita saudade de você e de tudo isso que lembrei.

"please don't go, please don't go. I love you so, I love you so... please don't go, I'll eat you whole, I love you so... I'll eat you whole"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

ano novo onde?

Ano novo, problemas velhos. Não suporto mais essa constância previsível e entediante que invadiu o curso da minha vida. E parece que não importa o que eu faça, nada muda.

Sei lá... Tudo me parece tão vazio e sem sentido. As coisas deixaram de me encantar e surpreender. Aquilo que não cairia nessa obviedade cansativa é simplesmente inatingível para o momento. Sinto que minha cabeça é uma partitura dodecafônica, completamente desorientada e barulhenta. Mas um barulho que repousa num silêncio chamado solidão. Essa falta de amor me corrói a vontade de fazer qualquer coisa. Eu sinto que me falta alimento, o néctar,  nenhuma abelha sequer o extrai. Eu podia me alimentar de amar, mas tudo o que consigo sentir a minha volta é raiva, descaso, indiferença, tédio, agonia, vazio... Não sinto mais o amor como algo palpável, e sim como a idealização mais elevada de um mundo melhor. O amor está tão distante, mas ao mesmo tempo, tão perto. Tão perpétuo, mas tão indisponível. Tão vivo e tão inexistente.
A solidão me pesa tanto, me suga tanto... e com o passar dos dias, percebo que ela atua feito bola de neve: quanto maior é, maior vai ficando. Amores, amigos, família... todos se vão. Até que fico sozinha com meus "comigos", porém eles também me deixam. Resta-me o meu mais íntimo "eu", momento no qual poderia pensar "pior que isso não fica"... Sempre fica, porque de certa forma, no meio desse espaço imenso e vazio, você se distancia de si mesmo, até que se perde de completo. Como se estivesse num universo vazio e infinito, iluminado à meia luz, mas que não sabe de onde surge. Não adianta correr para nenhum lado, pelo simples fato de que nunca chegará a algum lugar. É assim que me sinto, uma massa impotente, vazia de sentimento, sobretudo de amor.
Sentimento esse que te exige um receptor, caso contrário, é como se atirasse em alguma [não-]direção daquele universo vazio e infinito. De que vale estocar amor se não tem um alma para recebê-lo? É apenas um grito no vácuo...
Desculpe, Carlos, mas também não encontrei aquilo de que carecemos, nem eu, nem você, tampouco nosso querido Elefante.

domingo, 21 de setembro de 2014

over and over again

Difícil é perceber que depois de tanto tempo, meia década aliás, ainda é você. É muito perturbador, para ser sincera, perceber como sempre procuro alguém que tenha algo que me lembre você, como busco por semelhanças e comparações que não se concretizarão nunca, pelo único fato de não ser você.
"Na busca da unidade áurea que perdemos...", sou um Orfeu que é condenado a procurar o que está a sua frente mas é inatingível. Você é minha 'unidade áurea', pequena. E com o decorrer dos anos, acho que serei obrigada a me contentar com um prata, um bronze, cobre talvez... E tenha que aprender a continuar vivendo e convivendo com esse amor guardado no mais luxuoso cômodo do meu coração. Talvez seja esse meu "embrulho" e terei de "carregá-lo comigo". Como diria o Carlos, às vezes é leve, às vezes pesado. Outrora quente, agora frio, constantemente morno que aspira borbulhar. Você é o embrulho indescritível que vou carregar eternamente... porque "eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata".
Pudera ser o destino configurado de "mãos dadas", mas acho que como também ando por caminhos "tortos" com meu "eu retorcido", terei de espiar as "pernas passando", apenas.
O problema é que as pernas passam, algumas ficam por um tempo, mas vão embora... e as suas insistem em cativar meus olhos e lá permanecem, inertes na minha frente, com o ar caótico da constância do infinito. Tudo em você é tão sublime que só mesmo a música e a poesia para te perpassarem. E esses são os únicos [e quem precisa de outros?] meios nos quais temos uma ligação íntima e inseparável, nós nos entendemos por versos e ritmos, nós nos conversamos por abstrações e melodias. E para mim, isso é especialmente eterno e eternamente especial.
"é toda minha vida que joguei".

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mão-suja

Tudo é tão frágil... Quando penso que estou conseguindo me erguer e segurar a beirada do precipício, algo simplesmente me puxa de volta para essa maldita queda eterna. Esse silêncio que tortura meus pensamentos e preenche meu coração com um vazio devastador. Esse silêncio que amedronta na madrugada e me persegue de dia. Esse silêncio me incomoda. No entanto, até que ponto essa ausência de vida sonora também não é minha? Pois, visto que é possível o feiticeiro se sufocar com a própria poção, eu me enforquei na minha própria trama. Fiz tudo o que fiz até me tornar uma eremita lunática alheia a todos (inclusive a mim) e agora não consigo viver na minha solidão construída e planejada com tanta sede e tanto medo... 
E ao mesmo tempo, não me adequo a qualquer companhia... Não consigo mais confiar em alguém para deixar que me tirem desta inércia subalterna. Não consigo pular o muro, Carlos, tampouco deixar que saltem ao meu encontro. Fiz-me incomunicável e não consigo responder ao mundo que me chama. Tão sem vida, estou submersa num grito abafado que tenta chamar por Orfeu. Mas ele também não me escuta, somos todos estrangeiros, ainda que em terras conhecidas. 
Eu tenho medo, Carlos, tenho medo de não conseguir nunca mais enxergar o mundo. Medo de me perder em heterônimos vazios se sentido e significado. Medo de me reinventar a cada instante, só para não ver o horror real. Medo de não conseguir sair. Também sinto falta de gente, Carlos, de corpo de gente, abraço de gente. Mas não posso deixar que me toquem, entende? Gente tem espinhos que machucam quando tocam. Perfuram a pele outrora intacta e envenenam qualquer possibilidade de felicidade e bem-estar. 
O labirinto não se desata e parece que perdi a chave. A saída não está mais no mesmo lugar que a deixei. Sinto-me engolida pelas paredes que vão cada vez mais estreitando-se e me sufocam. Não quero me tornar parte da parede, Carlos, não quero. Parece-me, contudo, que eu sou também essas paredes que me oprimem. E disso eu não gosto. 
Não gosto do que sinto. Não gosto do que vejo. Esse corpo é a sua mão suja, Carlos. Assim como você, também preciso cortá-lo. Tirar de mim essa mancha, esse erro, esse medo. Tenho que lavá-lo incansavelmente, até que esteja limpo... Infelizmente, porém, não consigo limpá-lo totalmente. Ele persiste em se sujar, a cada dia, a cada instante... Algo o suja e o leva de volta ao abismo inicial... Estou presa e preciso sair. 
Carlos, cadê a porta? 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Dor II

Seráqueseeufingirquetenhocompanhia,seeufingirqueumdiafuiamada,seeufingirquenãoestoucommedoequenãoestputriste...seráqueassconsigodeitarnotravessereiroedormir?
Nãoaguentomaisessevazio. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Diálogo póstumo

É um vazio tão grande. Uma dor tão triste. Um desgosto tão amargo... Eu sei que amanhã será outro dia, Carlos, sei ainda que o primeiro amor passou é que o segundo provavelmente também. "Mas como dói". Como "amontoar tudo isso num só peito de homem"? É pesado demais. Por mais que eu tente, enfrentar a realidade, no momento, ainda não consigo. O que devo fazer então? Recorrer às ilhas que convocao ao suicídio? Esconder-me em heterônimos de falsos poetas e perder meu tempo com mentiras infundadas? 
Não sei mais o que fazer... Só viver também não dá, deste modo arbitrário e sem sentido. 
"sem nenhum apoio
no chão ou no espaço,
roídos os livros,
cortadas as pontes,
furados os olhos,
a língua enrolada,
os dedos sem tato,
a mente sem ordem,
sem qualquer motivo
de qualquer ação,
tu vives; apenas,
sem saber pra quê,
como para quê,
tu vives: cadáver,
malogro, tu vives,
rotina, tu vives
tu vives, mas triste
duma tal tristeza
tão sem água ou carme,
tão ausente, vago,
que pegar quisera
na mão e dizer-te:
Amigo, não sabes
que existe amanhã?"

Estou esperando esse tal "amanhã" chegar, Carlos. Juro que estou. Mas às vezes tenho vontade de que não chegue nunca e tudo se encerre nesse sombrio hoje no qual venho vivendo. Às vezes desejo que o sol não nasça, que o dia não levante, que meu corpo não desperte de um sono profundo. 
"Que fazer exausto, em país bloqueado 
Enlace de noite, raiz e minério?" 
Estou tentando desatar o labirinto, mas ele me é cada vez mais estranho e a cada dia que passa, sinto-me mais estrangeira. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Ultra romântico

Àsvezesparecequenãoimportaoquantoeumeesforcenãoconsigoficarbem.essavontadesubterrâneademorrerdeumaveztomacontadamaioriadosmeuspensamentos.nãoaguentomaisviverdessejeitoeterquefingirqueestátudobemequeeuestouconseguindosuportaroinsuportável.eunãoquerocontinuarvivendosentindodorsentindooabandonobateràportatodoinstante.eusóqueriaterumavidatranquilaaoteuladoqueriaserfelizpelomenosumavezenãosentirdor.maspelovistpissonãovaiacontecernunca...assuasprioridadessãooutrasseusonhosparecemseroutros...talvezquandoresolvadarespaçoparamimnãodêmaistempoporqueaivocêvaiperceberquenãopassamosdeumaaventuraequelogosereiumpassadoquevocêvaismaisrecordar.àsvezesànoiteeuimploroparaomeucorponãolevantarnodiaseguinte.maseleinsisteemdesobedecer. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Hurting me...

There is so much pain... The whole world is full of pain, you just have to stop a little and pay attention. Everything is so fragile and invites you to crash at any second. If you look into people's faces, you'll see how much they are going through, how much they are fucked up. And worst of all, how they must pretend that life is okay so they can live as everybody expects. 
There are so many things happening all the time and we don't even know, we don't even care... And this fucking lack of interesting hurts me, makes me go really mad, cause, how is that even possible? How can't they notice that there is someone besides you suffering? How can't you notice that I'm in pain? 
The world is full of perks and tricks, always making you confused and turning you inside out. And I can't avoid it. I can't help myself of feeling all this stuff. I can't deal of all this pain and keep walking with my head high... I can't feel pain without feeling hurt... And I'm sorry, but I can't stand it anymore. I can't keep feeling hurt all the time, cause this is driving me to somewhere that I really don't want to go. I'm going mad again and I can't do this again... Not anymore. But I don't know how to pass through, I don't know how do it alone. 
I just... I don't wanna feel pain anymore 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

pain II

Às vezes eu fico me perguntando... porqueeunãomorrodeumavez?
Por que essa dor não acaba e me deixa viver em paz? Por que tenho que me sentir caindo num abismo o tempo todo? Por que esses barulhos não param por um único segundo? Por que minha cabeça insiste em girar e conturbar meus pensamentos?
Eu não aguento mais sentir dor, não aguento mais lutar contra este vazio que me suga toda energia. Não aguento mais sentir esse caos aqui dentro, que lateja sem parar. Por que tem que doer tanto assim? Por que tem que machucar tanto, mas sem deixar hematomas? Antes deixasse... Talvez assim você perceba o quanto está doendo.
Se essa dor deixasse marcas externas, se manchasse a pele imaculada, se saísse sangue... Talvez assim as pessoas entenderiam que isso não "está só na minha cabeça". Talvez compreendessem que eu me esforço sim, mas não é o suficiente meu esforço. Se essa dor deixasse seu rasto, seria possível que as pessoas passassem a [pelo menos] respeitar isso. Não tratarem com descaso, indiferença, ou admitir que é "frescura minha".

trilha sonora de uma terça-feira à noite

1- Meds - Placebo
2- Hysteria - Muse
[essas duas músicas repetindo e repetindo e repetindo impulsivamente]

Situação:
Você acorda, sentindo-se um lixo, como todas as manhãs deste lindo ano novo. O ser refletido no espelho é tudo aquilo que você não queria ser. A vida que você não queria ter. I was alone, falling free. Por não ter nenhuma válvula de escape logo cedo, você segue apenas o protocolo da rotina. Sim, a rotina que você não queria viver.
O dia passa atordoado e desorientado. Baby, did you forget to take your meds? As coisas não fazem sentido e sua cabeça lateja e tritura todas as informações que recebeu. Baby, did you forget to take your meds? As ruas sustentam o caos mental através de seus ruídos, aquela poluição visual-auditiva que enlouquece qualquer um. I was confused, by the birds and the bees.
Então você finalmente volta para casa. "Oi" - escuta alguém te falando. No começo não responde, não faz mais diferença inclinar o pescoço e ver quem vos fala. "Oi" - a pessoa insiste. Então você se dá uma chance e vira os olhos para a luz reluzindo no fundo da porta. "Como você chegou aqui? Por que demorou tanto?" Se pergunta completamente atônita. Mas não obtém resposta.
Você fecha os olhos e força os cílios. Abre e não tem mais ninguém.
Baby, did you forget to take your meds?
Baby, did you forget to take your meds?
Já é tarde e você conclui que de fato é um lixo. Da mais alta classe dos lixos, que sonham alucinam com uma realidade "normal", onde sua cabeça não rode e não conflitua informações.

Então você deita na cama, abandona a mochila, o óculos, o guarda chuva, tudo, deixando o rasto do descaso depressivo pelo chão. Yeah, I'm endlessly, caving in and turning inside out. Ali deitada, a única coisa que consegue pensar é "como fingir que está tudo bem, quando completamente..." e na hora vai te faltar a palavra, porque as que tem não serão suficientes... perdida, confusa, sofrendo, desmoronando, indiferente, depressiva, com pânico, surtada, poderia ficar a noite toda procurando um bom adjetivo. E então você se esforça para pensar em mais uma coisa "como você consegue me ver sofrendo e não fazer absolutamente nada?" It's bugging me, grating me and twisting me around.
As lágrimas insistentes conseguem cair, as outras secam num olhar frio que combate a melancolia com raiva.
[it's] forcing me to strive, to be endlessly cool within. And dreaming I'm alive.

'Cause, I gave you my heart and my soul, and you threw them straight to some garbage you found down the streets.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

pain

E quando você pensa que pode suportar, que aguentará o tranco, vem a vida te mostrando que não.
Chega um tempo que não adianta mais lutar e tentar continuar. Depois de um tempo, viver a qualquer custo não é mais bonito, mais heroico. Tem um momento em que você deseja simplesmente parar. Sabe? Parar totalmente, não ouvir mais nada, não ver mais nada, não sentir mais nada, sobretudo a dor. Chega uma hora que você vai fazer de tudo só para não sentir mais dor.
Porque essa dor interna, que pulsa o tempo todo e não te deixa descansar um minuto sequer, essa dor te tortura, te exausta e pouco a pouco te sucumbe. E não tem nada que consiga fazer para se livrar disso. Você vai tentar ler, ouvir música, sair, comprar coisas, escrever coisas, conversar... Principalmente conversar. Vai tentar muito isso... Mas ouvirá apenas "isso só está na sua cabeça... Você não está tentando o bastante, por isso que não melhora". E ouvir isso, aumenta a dor, aumenta colossalmente e te faz sentir um lixo. Você começa a sentir tudo girar na sua cabeça, todos os barulhos entram devastando qualquer pensamento. As visões aceleram e não te deixam processar o que está de fato vendo. Você entra num estado de alerta irreparável e até o vento te assusta.
Sim, você começa a viver assustada o tempo todo. E quando finalmente consegue dormir, o sono te ludibria em pesadelos e noites mal dormidas... E então você acorda. Tudo aquilo que você implorou para não acontecer: acordar. Abrir os olhos todos os malditos dias se torna mais uma tortura. Viver arbitrariamente , só pelo fato de que tem que viver. Sem gostar nem um pouco do que está vivendo. E para quê? Para levar um tapinha nas costas depois? Ou pior, não vai fazer diferença nenhuma o quanto você tentou, o quanto se esforçou, o quanto lutou contra tudo isso que acontece. Não faz diferença como você vai lidar com isso ou aquilo... Desde que não interfira na vida de ninguém, certo?
E a luta não te faz mais forte, muito pelo contrário, te mostra o quanto você é fraco e não consegue suportar o que para alguém "comum" seria tranquilo. Insistir o tempo todo só te faz perceber que você está sofrendo o tempo todo e quer se livrar desse sofrimento a qualquer custo.
there's so much pain that I can barely feel the wind touching my skin without feeling scared. I feel hurt and I just want to people understand that, is it too much to ask?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

18 de dezembro

Não, a raiva não passou... Mas acho que agora posso pelo menos tentar te falar algumas coisas sem surtar "no meio do caminho".
Este ano foi bem mais difícil do que eu esperava, e isso não é novidade, porque você passou por coisas bem ruins também. Mas não posso (nem quero) falar por você e acho que devo algumas explicações. 
Sinto raiva por ter percebido que quando precisei das pessoas, elas não estavam lá. Sinto raiva por ter que me convencer de que não posso esperar das pessoas reciprocidade. Sinto muita raiva por continuar vendo as pessoas se distanciando cada vez mais de mim, e por mais que eu tente segurá-las, elas continuam se afastando. 
Acontece que... infelizmente você faz parte dessas "pessoas". Justamente você, a única que deixei participar por inteiro do meu mundinho, tão pequeno, tão pobre, mas que tenta a todo custo aumentar. Vi em você essa possibilidade: você poderia me ajudar a crescer, a me tornar alguém melhor. Levei-te para conhecer cada canto meu. Contei meus medos, partilhei alguns segredos. Alimentei sonhos e esperanças. E o fiz (do modo como fiz contigo) pela primeira vez. Em alguns momentos você teve mais de mim do que eu mesma tenho, confiei-te páginas dos meus diários (o que nunca tinha acontecido). Eu pensava que quanto mais soubesse de mim, mais me entenderia, mais saberia como eu sinto as coisas de um jeito mais intenso do que elas realmente são e como me machuco muito mais rápido por ser assim. Eu pensava que se te contasse e mostrasse algumas coisas de mim, você poderia decifrar as minhas reações, sem que eu precisasse me explicar o tempo todo. 
Eu não me lembro de ter chorado (de verdade) na frente de ninguém (além da minha mãe e madrinha). E não fazia isso porque era motivo para demonstrar minha fragilidade, o que não poderia acontecer. Mas chorei diversas vezes na sua frente, pelo único fato de ter confiado em você. Uma confiança que para mim é extremamente difícil de ser criada. 
Eu tentei te mostrar tudo o que eu tinha, tudo o que eu sabia de mim. Todas as minhas teorias malucas de como me relaciono com as pessoas. Contei como eu só consigo ter raiva de alguém se eu amar muito esse alguém. Porém nunca sinto ódio. Como eu me desgasto no processo de "gostar de fulana", como isso exige de mim coisas que nem sempre tenho para oferecer. Tentei te contar isso tudo, "amontoar tudo isso"...
O problema é que mesmo eu permitindo que você entrasse de modo tão presente no meu mundinho, mesmo assim... Isso não impediu que você agisse como todas as outras pessoas. Ok, os acontecimentos explicam o motivo de ter agido como agiu, mas não justificam. Entende? 
Da primeira vez (quando sua mãe apareceu lá em casa), eu relevei, entendi o medo que estávamos, o quão atônitas estávamos. Da segunda vez, acordei no hospital e você não estava. Senti como se fosse uma facada nas costas, daquelas bem dadas, com direito a um sorriso cínico de canto da boca de quem golpeou. Da terceira vez... Bem, tudo bem agonizar de dor em casa, você estava em outra cidade e não dava para pegar o primeiro ônibus/vôo/ trem/ o raio que fosse. Mas da quarta vez... Não... Essa eu não aguentei, de novo eu acordei num hospital e você não estava. E me desculpe por não compreender. Desculpe-me por não aceitar seus motivos, por não ser paciente, por não colaborar, por não te estimular a "continuar tentando". Da quarta vez eu não consegui relevar. 
Todo mundo esse ano simplesmente virou as costas para mim. Eles me abandonaram, como se eu não fosse alguém que conhecessem, que chamavam de amiga/filha/etc. E você... a pessoa que eu me esforcei tanto para que me conhecesse... Você fez a mesma coisa. Agiu do mesmo modo. "Agora eu não posso", "não tem como ir agora", "desculpa", "tenta entender, também estou num momento difícil"... 
E por isso eu sinto raiva, parece que foi tudo em vão. Tudo o que eu tentei te mostrar... Tudo o que eu julgava de mais importante no mundo... Parece que foi tudo em vão. De nada adiantou. 
E agora sinto que estou sendo abandonada de novo. E mais, como se ganhasse um bilhetinho escrito um belo de um "foda-se". 
Mas sei que eu tenho grande parte da responsabilidade pelas coisas chegarem a esse ponto. E peço desculpas mesmo por agora não conseguir dar o suporte que você precisa... Acontece que o ano todo eu precisei desse tal suporte, agora eu não tenho nem mais onde pisar para tentar te segurar. Não posso dizer que cheguei ao meu limite, porque isso aconteceu em outubro mais ou menos. Já ultrapassei esse limite e depois da cirurgia, caí tão fundo que mal consigo ver um feixe de luz. 
Você pode ficar à vontade para dizer o quão "exagerada" eu estou sendo. Pode me falar para não fazer tempestade em copo d'água, pode até ficar repetindo que as coisas são "simples". Tens todo o direito. Mas nunca pensei que ouviria essas coisas de você. 
E cá estamos. 18 de dezembro. 
Todos os meus pensamentos do tipo "você não devia deixar as pessoas entrarem, porque sempre vai acabar se machucando" retornam... E nessas reviravoltas da vida, eu fico imaginando como seria se eu realmente tivesse "você assim pra sempre".