Difícil é perceber que depois de tanto tempo, meia década aliás, ainda é você. É muito perturbador, para ser sincera, perceber como sempre procuro alguém que tenha algo que me lembre você, como busco por semelhanças e comparações que não se concretizarão nunca, pelo único fato de não ser você.
"Na busca da unidade áurea que perdemos...", sou um Orfeu que é condenado a procurar o que está a sua frente mas é inatingível. Você é minha 'unidade áurea', pequena. E com o decorrer dos anos, acho que serei obrigada a me contentar com um prata, um bronze, cobre talvez... E tenha que aprender a continuar vivendo e convivendo com esse amor guardado no mais luxuoso cômodo do meu coração. Talvez seja esse meu "embrulho" e terei de "carregá-lo comigo". Como diria o Carlos, às vezes é leve, às vezes pesado. Outrora quente, agora frio, constantemente morno que aspira borbulhar. Você é o embrulho indescritível que vou carregar eternamente... porque "eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata".
Pudera ser o destino configurado de "mãos dadas", mas acho que como também ando por caminhos "tortos" com meu "eu retorcido", terei de espiar as "pernas passando", apenas.
O problema é que as pernas passam, algumas ficam por um tempo, mas vão embora... e as suas insistem em cativar meus olhos e lá permanecem, inertes na minha frente, com o ar caótico da constância do infinito. Tudo em você é tão sublime que só mesmo a música e a poesia para te perpassarem. E esses são os únicos [e quem precisa de outros?] meios nos quais temos uma ligação íntima e inseparável, nós nos entendemos por versos e ritmos, nós nos conversamos por abstrações e melodias. E para mim, isso é especialmente eterno e eternamente especial.
"é toda minha vida que joguei".
domingo, 21 de setembro de 2014
terça-feira, 20 de maio de 2014
Mão-suja
Tudo é tão frágil... Quando penso que estou conseguindo me erguer e segurar a beirada do precipício, algo simplesmente me puxa de volta para essa maldita queda eterna. Esse silêncio que tortura meus pensamentos e preenche meu coração com um vazio devastador. Esse silêncio que amedronta na madrugada e me persegue de dia. Esse silêncio me incomoda. No entanto, até que ponto essa ausência de vida sonora também não é minha? Pois, visto que é possível o feiticeiro se sufocar com a própria poção, eu me enforquei na minha própria trama. Fiz tudo o que fiz até me tornar uma eremita lunática alheia a todos (inclusive a mim) e agora não consigo viver na minha solidão construída e planejada com tanta sede e tanto medo...
E ao mesmo tempo, não me adequo a qualquer companhia... Não consigo mais confiar em alguém para deixar que me tirem desta inércia subalterna. Não consigo pular o muro, Carlos, tampouco deixar que saltem ao meu encontro. Fiz-me incomunicável e não consigo responder ao mundo que me chama. Tão sem vida, estou submersa num grito abafado que tenta chamar por Orfeu. Mas ele também não me escuta, somos todos estrangeiros, ainda que em terras conhecidas.
Eu tenho medo, Carlos, tenho medo de não conseguir nunca mais enxergar o mundo. Medo de me perder em heterônimos vazios se sentido e significado. Medo de me reinventar a cada instante, só para não ver o horror real. Medo de não conseguir sair. Também sinto falta de gente, Carlos, de corpo de gente, abraço de gente. Mas não posso deixar que me toquem, entende? Gente tem espinhos que machucam quando tocam. Perfuram a pele outrora intacta e envenenam qualquer possibilidade de felicidade e bem-estar.
O labirinto não se desata e parece que perdi a chave. A saída não está mais no mesmo lugar que a deixei. Sinto-me engolida pelas paredes que vão cada vez mais estreitando-se e me sufocam. Não quero me tornar parte da parede, Carlos, não quero. Parece-me, contudo, que eu sou também essas paredes que me oprimem. E disso eu não gosto.
Não gosto do que sinto. Não gosto do que vejo. Esse corpo é a sua mão suja, Carlos. Assim como você, também preciso cortá-lo. Tirar de mim essa mancha, esse erro, esse medo. Tenho que lavá-lo incansavelmente, até que esteja limpo... Infelizmente, porém, não consigo limpá-lo totalmente. Ele persiste em se sujar, a cada dia, a cada instante... Algo o suja e o leva de volta ao abismo inicial... Estou presa e preciso sair.
Carlos, cadê a porta?
segunda-feira, 7 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
Dor II
Seráqueseeufingirquetenhocompanhia,seeufingirqueumdiafuiamada,seeufingirquenãoestoucommedoequenãoestputriste...seráqueassconsigodeitarnotravessereiroedormir?
Nãoaguentomaisessevazio.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Diálogo póstumo
É um vazio tão grande. Uma dor tão triste. Um desgosto tão amargo... Eu sei que amanhã será outro dia, Carlos, sei ainda que o primeiro amor passou é que o segundo provavelmente também. "Mas como dói". Como "amontoar tudo isso num só peito de homem"? É pesado demais. Por mais que eu tente, enfrentar a realidade, no momento, ainda não consigo. O que devo fazer então? Recorrer às ilhas que convocao ao suicídio? Esconder-me em heterônimos de falsos poetas e perder meu tempo com mentiras infundadas?
Não sei mais o que fazer... Só viver também não dá, deste modo arbitrário e sem sentido.
"sem nenhum apoio
no chão ou no espaço,
roídos os livros,
cortadas as pontes,
furados os olhos,
a língua enrolada,
os dedos sem tato,
a mente sem ordem,
sem qualquer motivo
de qualquer ação,
tu vives; apenas,
sem saber pra quê,
como para quê,
tu vives: cadáver,
malogro, tu vives,
rotina, tu vives
tu vives, mas triste
duma tal tristeza
tão sem água ou carme,
tão ausente, vago,
que pegar quisera
na mão e dizer-te:
Amigo, não sabes
que existe amanhã?"
Estou esperando esse tal "amanhã" chegar, Carlos. Juro que estou. Mas às vezes tenho vontade de que não chegue nunca e tudo se encerre nesse sombrio hoje no qual venho vivendo. Às vezes desejo que o sol não nasça, que o dia não levante, que meu corpo não desperte de um sono profundo.
"Que fazer exausto, em país bloqueado
Enlace de noite, raiz e minério?"
Estou tentando desatar o labirinto, mas ele me é cada vez mais estranho e a cada dia que passa, sinto-me mais estrangeira.
terça-feira, 11 de março de 2014
Ultra romântico
Àsvezesparecequenãoimportaoquantoeumeesforcenãoconsigoficarbem.essavontadesubterrâneademorrerdeumaveztomacontadamaioriadosmeuspensamentos.nãoaguentomaisviverdessejeitoeterquefingirqueestátudobemequeeuestouconseguindosuportaroinsuportável.eunãoquerocontinuarvivendosentindodorsentindooabandonobateràportatodoinstante.eusóqueriaterumavidatranquilaaoteuladoqueriaserfelizpelomenosumavezenãosentirdor.maspelovistpissonãovaiacontecernunca...assuasprioridadessãooutrasseusonhosparecemseroutros...talvezquandoresolvadarespaçoparamimnãodêmaistempoporqueaivocêvaiperceberquenãopassamosdeumaaventuraequelogosereiumpassadoquevocêvaismaisrecordar.àsvezesànoiteeuimploroparaomeucorponãolevantarnodiaseguinte.maseleinsisteemdesobedecer.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Hurting me...
There is so much pain... The whole world is full of pain, you just have to stop a little and pay attention. Everything is so fragile and invites you to crash at any second. If you look into people's faces, you'll see how much they are going through, how much they are fucked up. And worst of all, how they must pretend that life is okay so they can live as everybody expects.
There are so many things happening all the time and we don't even know, we don't even care... And this fucking lack of interesting hurts me, makes me go really mad, cause, how is that even possible? How can't they notice that there is someone besides you suffering? How can't you notice that I'm in pain?
The world is full of perks and tricks, always making you confused and turning you inside out. And I can't avoid it. I can't help myself of feeling all this stuff. I can't deal of all this pain and keep walking with my head high... I can't feel pain without feeling hurt... And I'm sorry, but I can't stand it anymore. I can't keep feeling hurt all the time, cause this is driving me to somewhere that I really don't want to go. I'm going mad again and I can't do this again... Not anymore. But I don't know how to pass through, I don't know how do it alone.
I just... I don't wanna feel pain anymore
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
pain II
Às vezes eu fico me perguntando... porqueeunãomorrodeumavez?
Por que essa dor não acaba e me deixa viver em paz? Por que tenho que me sentir caindo num abismo o tempo todo? Por que esses barulhos não param por um único segundo? Por que minha cabeça insiste em girar e conturbar meus pensamentos?
Eu não aguento mais sentir dor, não aguento mais lutar contra este vazio que me suga toda energia. Não aguento mais sentir esse caos aqui dentro, que lateja sem parar. Por que tem que doer tanto assim? Por que tem que machucar tanto, mas sem deixar hematomas? Antes deixasse... Talvez assim você perceba o quanto está doendo.
Se essa dor deixasse marcas externas, se manchasse a pele imaculada, se saísse sangue... Talvez assim as pessoas entenderiam que isso não "está só na minha cabeça". Talvez compreendessem que eu me esforço sim, mas não é o suficiente meu esforço. Se essa dor deixasse seu rasto, seria possível que as pessoas passassem a [pelo menos] respeitar isso. Não tratarem com descaso, indiferença, ou admitir que é "frescura minha".
Por que essa dor não acaba e me deixa viver em paz? Por que tenho que me sentir caindo num abismo o tempo todo? Por que esses barulhos não param por um único segundo? Por que minha cabeça insiste em girar e conturbar meus pensamentos?
Eu não aguento mais sentir dor, não aguento mais lutar contra este vazio que me suga toda energia. Não aguento mais sentir esse caos aqui dentro, que lateja sem parar. Por que tem que doer tanto assim? Por que tem que machucar tanto, mas sem deixar hematomas? Antes deixasse... Talvez assim você perceba o quanto está doendo.
Se essa dor deixasse marcas externas, se manchasse a pele imaculada, se saísse sangue... Talvez assim as pessoas entenderiam que isso não "está só na minha cabeça". Talvez compreendessem que eu me esforço sim, mas não é o suficiente meu esforço. Se essa dor deixasse seu rasto, seria possível que as pessoas passassem a [pelo menos] respeitar isso. Não tratarem com descaso, indiferença, ou admitir que é "frescura minha".
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